segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Ponte do Arco-Íris

Neste lado do Paraíso existe um lugar chamado Ponte do Arco-Íris. Quando um animal morre, aqueles que foram especialmente queridos por alguém vai para a Ponte do Arco-Íris. Lá existem campos e colinas para todos os nossos amigos especiais pois assim podem correr e brincar juntos. Lá existe abundância de comida, água e raios de Sol. Nossos amigos estão sempre aquecidos e confortáveis.
Todos os animais que já ficaram doentes e velhinhos estão novamente com saúde e vigor; aqueles que foram machucados ou mutilados estão perfeitos e fortes novamente, exatamente como nós nos lembramos deles nos nossos sonhos, dos dias que já se foram.
Os animais estão felizes e alegres, exceto por uma coisinha. Cada um deles sente saudades de alguém muito especial, alguém que foi deixado para trás. Todos eles correm e brincam juntos, mas chega um dia em que um deles para de repente e olha fixo a distância. Seus olhos brilhantes estão atentos, seu corpo impaciente começa a tremer levemente. De repente ele se separa do grupo e corre tão depressa que voa por sobre a grama verde; sempre mais e mais rápido.
Você foi visto e, quando você e seu amigo especial finalmente se encontram ficarão unidos num reencontro de alegria, para nunca mais se separar. Os beijos de felicidade vão chover na sua face; suas mãos vão novamente acariciar aquela cabecinha tão amada; e você vai olhar mais uma vez dentro daqueles olhinhos cheios de confiança, que há muito haviam partido da sua vida, mas que nunca haviam se ausentado do seu coração. Aí então, vocês dois juntos, cruzarão a Ponte do Arco-Íris.

Desde o dia em que recebi essa história creio ser assim que reencontrarei o Pery... correndo e brincando com vários amiguinhos, esperando por sua família e juntos, atravessaremos a Ponte.

6 semanas!!

Hoje fazem 6 semanas e essa semana fizemos uma visita a uma "tia" distante mas que mora em Brasília. Entre tantos assuntos ela também disse ter perdido o cãozinho da família há menos de um mês e contou a história de como ele ficou. Impressionante como as histórias são parecidas com a do Pery, embora não fosse o mesmo problema...
Fiquei pensando naquelas pessoas que não sabem o que é amar um bichinho da forma que amamos, que não sabem o que é viver por eles, o que é sofrer por eles quando se vão. Se não entendem podiam ao menos respeitar... e foi isso que essa "tia" falou também, expressando o que tanto pensamos quando estamos junto de pessoas que não tem cães ou outro bichinho de estimação.
Essa tia está sofrendo bastante também, ela e o dono real do cão... e me coloquei no lugar dela e juntas choramos... na frente de todos que estavam perto, claro.

Hoje fazem 6 semanas, sei que ele está bem no céu dos cachorros, sei que não sofre mais, se diverte com outros cachorros... e pensar nisso me traz até certa paz ao coração.

Claro que hoje não sofro como antes, que a saudade substitui o sofrimento daqueles dias terríveis de antes e depois da partida dele... mas ainda estou num estado esquisito na minha cabeça, onde pouca coisa, além da minha família, importa. Deixei de fazer várias coisas que antes considerava realmente importante e me propus a outras coisas que envolvem minha família, mais tempo e com mais dedicação. Penso que hoje é minha prioridade...

Hoje fazem 6 semanas... mas na minha cabeça já aconteceu tanta coisa que me sinto um ano depois...
Sinto muita saudade do meu bebezão... ainda o escuto pela casa, tropeço em um cobertor no meio do caminho que já não existe, me pego indo preparar a comida dele no meio do dia.. ainda é mto recente, mas já não me dói como antes...

O amor é eterno... nós 3 ficamos bem mais unidos do que antes... como sempre, uma situação de trauma une ainda mais nossa família... pequena mas muito unida... AMEM...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Um mês!

E se passou um mês desde que meu cãozinho se foi pro outro lado.
Penso que hoje ele está bem e feliz, olhando pra nós e agradecendo por termos feito o melhor por sua saúde física e mental.
Ainda imagino como teria sido se não tivéssemos viajado pra SP no feriado de junho... mas infelizmente ainda não conseguimos voltar o tempo e fazer coisas diferentes... importante mesmo é que fizemos de tudo por ele enquanto conosco esteve e, se pudesse, voltaria e faria de novo, tudo por ele!

A saudade dele é enorme... ainda escutamos o chorinho dele pela casa, as patinhas andando e vemos o vulto dele passando por nós. Eu ainda sinto seu pelo macio nos braços e pernas, ainda sinto o cheiro dele e choro baixinho de saudades a noite no banho, ou de madrugada, quando acordo ouvindo ele no quartinho.

Essa dor imensa vai passar, eu sei... temos vivido nossa vida com a Peny e evitamos pensar no futuro dela... apesar de inevitável.

Quero hoje e agora, virei imediatista...

Feliz? ainda não... conformada com o que aconteceu e consciente de que fizemos tudo que podíamos para vê-lo bem até o fim.


Por ele criamos uma área de saudades em casa:

Hoje fazem 5 semanas... e o amor nunca irá diminuir... Cãozinho, pra sempre!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Fevereiro / 2010

E resolvemos passar então o carnaval no Rio. Descansar um pouco, rever a família, pegar uma praia, enfim... curtir!! Ahhh se a gente soubesse o que vinha a seguir...


Voltamos com o Pery internado na clínica com soro e sem levantar. Não pude vê-lo no dia que chegamos e nem no dia seguinte, somente no outro e o que vi me apavorou: meu cãozinho estava praticamente morto! Quase não o reconheci deitado de tão magro e sem vida que ele se encontrava. Só visitas pude fazer até completar uma semana de internado. Ele estava muito fraco, os pêlos antes fartos e brilhantes, se soltavam mas minhas mãos, como bolas de algodão preto. Ele não ficava de pé e chorava pedindo meu colo. Segundo o Dr. Ricardo ele ficou anêmico da noite para o dia, as plaquetas novamente abaixaram a níveis críticos. Niguém sabia se ele sobreviveria àquela crise.


Íamos diariamente visitá-lo na clínica e a Peny ficava em casa esperando que o irmão voltasse. Andava irritada e ansiosa. Era um reflexo nosso também, claro. Toda aquela loucura de não saber o que iria acontecer estava novamente destruindo a paz da casa. Como é que pode um serzinho tão pequeno influenciar a vida de algumas pessoas e dessas outras e outras...


Meu trabalho, na minha opinião, andava um lixo... eu não queria sair de casa, na verdade não queria sair da minha cama e aproveitava o chuveiro para chorar, chorar e chorar... Chorava com o coração apertado de possivelmente perder meu companheirinho tão querido. Sentimento egoísta visto o sofrimento dele... mas ainda sim um sofrimento absurdo e antecipado.


Voltei a fazer Coaching mas nem isso me deu o alento que precisava naquela hora. Eram sessões visando meu futuro profissional mas não conseguia me concentrar em nada, só no que passava em casa. Chegou uma hora em que me senti impotente e tendo que escolher entre ter o Pery vivo ou morto... Sim, simples assim pois, se ele não melhorasse eu teria que obrigatoriamente livrá-lo de toda essa dor e sofrimento pedindo ao vet. dele que o sacrificassse, mesmo que isso significasse morte de uma parte de mim também...

Felizmente e depois de horas de orações nossas e da Magda para São Francisco de Assis, Pery voltou para casa depois de uma semana de internação. Voltou magrinho com pouquíssimo pelo no corpo mas voltou andando devagarinho e feliz de poder estar entre nós!! Que alegria!

Foi um período muuuuuuuito difícil, não posso negar! Sair para trabalhar diariamente e deixá-lo em casa sozinho com a Peny sem saber se ele precisava de alguma coisa ou se sentia algum tipo de dor ou desconforto era terrível! Sorte minha era ter o marido que tenho e que volta e meia voltava pra casa e fazia companhia para os dois e saia com eles para um passeiozinho ao sol e dava os remédios na hora certa. Era um verdadeiro PAI... lindo de ver!

E melhorando, finalmente, ele foi...




quarta-feira, 4 de agosto de 2010

21 dias

Hoje fazem 21 dias que meu bebezão se foi. Não sei porque mas hoje foi particularmente dolorido pensar nele... ouvi passos dele, ouvi seu choro, percebi ele caminhando pela casa enquanto eu passava roupa. Isso me doeu demais!
Não sonhei com ele nenhum dia até hoje desde que ele se foi mas tenho sonhos horríveis com cachorros sendo maltratados perto de mim, inclusive a Peny!

Acordo e rezo para que ele esteja bem lá no céu dos cachorros e que agora esteja olhando por nós aqui embaixo e sorrindo ao nos observar falando nele todos os dias.

Peny anda cabisbaixa de novo. Há dias não quer brincar com a bola, só brinca um pouco acho que para me agradar um pouco... Pede carinho o tempo todo e quer colo como nunca pediu antes.

Olho para ela e penso se ela entende o que houve ou ainda espera que o irmão volte pra casa...


Mas hoje vim também contar coisas sobre o Pery, coisas que passamos nos últimos tempos dele... como eu havia falado no começo do blog, eu queria passar para os leitores o que acontecia no dia a dia do nosso idosinho querido:


JANEIRO / 2010

O ano prometia ser excelente, já que o ano de 2009 foi lindo!

O meu trabalho rolava mas eu sentia que precisava continuar meu caminho, só ainda não sabia qual caminho seguir... ainda.

Pery começou a sentir dores no meio do mês de Janeiro, aproximadamente, quando acordava de madrugada uivando de dor e não conseguia parar de andar pela casa e se meter em todos os malditos buracos que encontrava. Podia ser embaixo de algum móvel, podia ser do lado da geladeira ou no rack da sala, atrás do sofá, debaixo da cadeira... enfim, qualquer lugar era lugar para ele tentar se ausentar do mundo naquela hora de dor. Ao menos era o que parecia na época!

Eu andava desesperada sem dormir , minha irritação estava a flor da pele , eu já não suportava me olhar e nem olhar ninguém. Andava ansiosa , chateada, deprimida e me sentindo totalmente incapaz de ajudar meu bichinho a melhorar. Colocava bolsa de água quente nas costas dele, envolvia ele com cobertores e ficava com ele no colo por horas, para tentar ao menos amenizar a dor... e parecia que nada adiantava. Até a Peny andava irritada e não dormia direito e ficava cansada duranta o dia, tadinha.

O Dr. Ricardo investigou muito, fez exames de sangue, estudou o caso dele incansavelmente...

íamos ao consultório praticamente toda a semana para que ele olhasse o Pery e desse um novo remédio para melhorar a dor que o pobrezinho não deixava de sentir. Até que, depois de uma ressonância foi detectado um problema na coluna dele, onde 4 vértebras estavam praticamente coladas, transformando isso na dor insuportável que ele sentia. Com o diagnóstico finalmente correto, o remédio foi encontrado e, depois de alguns dias finalmente o Pery conseguiu dormir uma noite inteira, não sem que eu levantasse a noite inteira para ver se ele estava bem, respirando e quentinho.

Finalmente paz em casa, sono de noite inteira e o sorriso aos poucos voltando a acontecer dentro de casa, para todos!