quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ainda em Curitiba

Pery sempre foi um cãozinho muito curioso, muito mesmo!! Tudo o que levávamos de diferente para casa tínhamos que mostrar a ele desde um pacote de pão até as tantas sacolas plásticas que vinham recheadas do mercado no começo do mês. Nada escapava do faro e ele sempre sabia quando algo lhe pertencia, como biscoitinhos e o pacote de ração. Era impressionante!
Como ele era muito curioso e passava muitas horas do dia sozinho no apartamento, era de esperar que procurasse com o que brincar, era de esperar que fuçasse por todo o apartamento procurando aventuras... Eu sempre dava por falta de algumas coisas em casa e, na maioria das vezes ele havia comido ou quebrado. Eu sabia que ele havia comido no dia seguinte pelas necessidades que saíam com alguma surpresa... ai ai...


Um dia, porém, chegamos em casa depois de um dia inteiro participando de uma feira de turismo. Chegamos em casa carregados de sacolas com material de trabalho e a única coisa que esperávamos era descansar, pés para cima, uma comida quente e uma linda noite de sono... Colocamos então as sacolas atrás do sofá e fomos em busca do nosso descanso merecido.
Sim, foi assim que aconteceu, mesmo o Pery implorando para ver o que estava naquele monte de sacolas. Ignoramos o apelo e não esperávamos o que nos aguardava no dia seguinte...
Ahhhh o dia seguinte... levantamos cedo, como sempre e o dia começaria como qualquer outro se não fosse o sofá empurrado da parede, sacolas espalhadas pela sala, papéis picotados, canetas mastigadas, brindes quebrados e muita bagunça, mesmo. E o Pery? um pouco abatido. Na hora não notamos a falta do fio do abajour de pé...

O dia seguiu depois de uma leve arrumação na casa com a promessa de arrumar direito a noite. O Pery ainda abatido não quis comer ou beber água. Imaginamos que seria porque estava cansado de tanta movimentação noturna. Não demos muita importância na hora.
Chegando a noite vimos que ele ainda não havia comido nada e mal tocou na água. Continuava abatido mas tentava forçar o vômito como se estivesse engasgado. Como todas as vezes em que ele se engasgava com algo, eu descia com ele para que pudesse comer grama, infalível receita. Mas não dessa vez. Ele desceu, comeu um pouco de grama mas não vomitou. Encontramos enfim o fio do abajour faltante e concluimos que ele havia engolido aproximadamente 10 a 15cm de fio de luz (o abajour estava desligado da tomada - ufa) e devia se isso que o estava incomodando.
Esperamos que ele melhorasse até o dia seguinte ou o levaríamos ao veterinário. Foi uma noite longa pois ele passou a resmungar de uma possível dor.
Na manhã seguinte, um sábado, o levamos numa veterinária perto de casa, que o encaminhou a uma série de exames de sangue, ecografias e ultrassonografias que então detectaram o tal fio esticado a partir da laringe dele até o intestino. Remédio??? não... cirurgia!
Pery foi internado nesse mesmo sábado e operado somente na segunda-feira pois estava com sinais de desidratação por ter ficado 3 dias sem quase tomar água e comer.
Eu estava trabalhando, ou melhor, tentando... foi um dia terrível porque foi a primeira vez que algo sério tinha acontecido com o meu cãozinho e essa anestesia era geral e mega perigosa, segundo o Dr. Wagner, que o operou.
Mas deu tudo certo... ele melhorou, passou 40 dias com aquele abajour horroroso na cabeça, os pontos cicatrizaram mas a cirurgia não fechou... O uso de uma pomada maravilhosa foi fundamental no fechamento do corte e realmente fez toda a diferença, que foi a Quadriderm em creme. Foram dias de angústia no começo até que vimos finalmente o corte fechando e cicatrizando de forma perfeita....

Pery passou a ser conhecido na clínica como "Pery, o cão avestruz"... coitadinho...


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